quarta-feira, abril 08, 2015
disse esse tal cara
mas tampouco
um
continente inteiro,
e aí se persegue,
naturalmente,
as caudas da pergunta
"que diabos é, então,
uma nação, um estado, uma cidade,
um vilarejo, um bloco econômico,
um pedacinho de terra de ninguém,
um espaço confinado
em um banheiro ridículo
numa pensão qualquer
no meio da cidade,
uma catatonia tão grande
dentro de si mesma
que as respostas lá fora,
elas próprias,
uma catatonia das boas, enfim,
que porra de espécie
de espaço
é reservado
à solidão, ela mesma um espaço
entrevado
em fronteiras de lugar nenhum?"
sábado, março 28, 2015
Improviso espontâneo, de repente e tal, vai que vinga
sexta-feira, setembro 12, 2014
Wallace, você provocou uma das maiores dores de minha vida
quarta-feira, janeiro 15, 2014
IV (Work in progress)
sexta-feira, agosto 30, 2013
Devaneio breve
É sentir-se indivíduo perante a massa de indivíduos (ainda mais no século XXI, por mais batido ou pedante que possa parecer, eu sei).
Quem lhe venera te fortalece nas fraquezas do espírito.
(e venerar são momentos frágeis na vida, se você tiver uma consciência meio que tendendo para o melancólico e mezzo pessimista)
terça-feira, abril 23, 2013
Working in progress III
Não sei se é o certo.
Queria acreditar que sigo seus passos.
Mas seus passos são dados em falso.
terça-feira, novembro 13, 2012
Work in progress II
Trajeto incerto
alvorada em assalto.
Assim se desfaz
rápidos arautos
juventude e passado.
O saldo é inválido
as transações:
precárias.
Não caminhei por
estas vielas
tristes
quando nasci!
- como hei então
de saber soberana
Tristeza, minha memória?
segunda-feira, janeiro 16, 2012
Work in progress
Ainda sem título.
Imponderável atravesso
vórtice em canto
inefável trilho emotivo
sem resignação de derrotado
tampouco bravura e fúria.
contudo, desperta encanto
volitivo desespero cansado
meu destino
de pathos e tragédia
se perde nos pequenos enquantos
configura um herói
fardo parco, despedaçado:
através da candura sofrida
sua aura imprime
a um peito danado,
o itinerário de minha vida.
(...)
to be continued...
quarta-feira, outubro 26, 2011
Trapalium - trecho avulso central
segunda-feira, outubro 17, 2011
Mais um de Jorge Barbosa
assinatura
tento ir em prantos
mas choro de tanto de rir
em cantos escuros
onde sou muitos e tantos.
minha solidão é fiel
ela não me deixa só,
ando por aí contido
como espelhos.
não procuro cheques,
sheiks, ou o X da questão.
procuro um antídoto
algum nome, um som
sem bilhetes suicidas.
ganhei-me pelas frestas
e mesmo sendo assim,
dei uma imensa festa
dentro de mim!
até que enfim,
fiquei lindo a noite toda
para esperar por mim,
mas não fui, não vou, nem vim.
as luas dos meus lábios
incendeiam-me insensato
nesta espera sincera,
esqueço quem sou
e lembro quem flui.
passaria séculos convicto
em ser uma oitava acima
de marte e plutão.
mas meu amor não cabe
na boca de um vulcão.
meu umbigo é um big-bang,
apenas um improviso,
uma fuga de jazz band.
não me levei em conta,
não botei na ponta do lápis.
passei na prova dos nove
mas me falta um pouco de álibi.
escrevo com minha sombra,
sem sombra de dúvidas...
nas minhas ilusões, eu me achoe assino em baixo, em baixo.
quarta-feira, janeiro 26, 2011
E eu sofro de que maneira? Não seguro, mas até de certa forma masoquista. Procurando, talvez, o inevitável, se é que podemos saber o que é o inevitável ou se ele é o evitável que desafiamos todos os dias e se torna ine- tão só e somente por causa de nós mesmos.
Quem sofre para se sentir seguro, FMAN, de quem vc fala?
Dos artistas (argh) que têm uma vida relativamente tranquila e não trabalham e podem escrever e criar uma infinidade de coisas e dizem que sofrem e o escambau, mas porra, perto de mim, sofrem o quê, sonofabitches, e yeahhh, é isso aí.
FMAN, vc veio da classe média, meu caro. Vc acha q tem uma história de vida triste e épica, mas meu caro, o que é vc perto de um sujeito que dorme nas ruas e desde o nascimento enfrentou uma existência não menos do que limitada? E aqueles que, independente de escala social, vivenciaram pesadelos indiscritíveis que transformam a psique humana? Ou, além, quem é voce para, pretensiosamente, saber que o teu pesadelo interior é maior que o de qualquer outra pessoa?
...Bom, eu sei que estou errado, mas minha autopiedade muitas vezes me move pra frente, como um guerreiro que perdeu a honra por uma bobeira e agora vê a chance única de retomá-la perante uma missão de dor e agonia. Quanto mais o pé do Antagonista pressiona meu rosto na lama e faz me sentir uma merda, a ponto de retornar a minha infância e gritar como um animal desesperado de ódio e vergonha (se é que este último atributo exista nos animais - eu, pessoalmente, acredito que não, acho que nestes cérebros "subdesenvolvidos" não existe a mediocridade de um sentimento como a vergonha, e sim, talvez, o da humilhação, que é diferente pelo fato de um outro ser ter o domínio absoluto de tudo o que lhe pertence, seja a mente, o físico, e, se ele quiser, até mesmo o cu).
...FMAN, eu acho que vc tem sérios problemas. Primeiro, o antagonista que você criou é somente isto: a materialização do seu fracasso nos seres que vc julga supostamente terem mais oportunidades do que você. Ou, comme on dit naqueles que você secretamente inveja e, incapaz de assumir isto integralmente, vira o ódio contra. Sem, realmente, nenhum argumento consistente. Estes de que vc fala, sofrem sim, e sofrem igual a vc. Vc sabe que a sensibilidade deles também está muito antenada.
(...)
É hora de um narrador entrar e mediar, ou, simples modo, explicitar esta conversa. 1.) ponto: o primeiro sujeito que interroga e depois divaga é FMAN, o suposto autor deste blog. 2.) ponto: o interlocutor que aparentemente questiona e provoca/indaga/contradiz FMAN é o encosto.
(Que encosto, porra, pergunta-se o possível leitor deste blog)
Cara, é uma longa história. A única coisa que posso dizer é que este blog possui seus vários nomes por causa de uma longa luta entre FMAN e seu encosto (sim, ele é bem específico e só dele) - os nomes caracterizando o estágio da luta entre os dois. "O encosto está em todos nós", como está atualmente titulado significa, nada mais ou nada menos, que...Ahhhrgh..que porra é aquela, que merda significa tudo is..t...aahh! XXXX
quarta-feira, dezembro 08, 2010
Mais do Jorge Barbosa
Enquanto este que vos escreve mantém-se inútil e estagnado em matéria de criação cultural, outros poetas estão colocando a mão na massa: com vocês, mais um poema de Jorge Barbosa Filho.Nossa Senhora dos Capilares
Sou o lobisomem
devoto de Nossa Senhora dos Capilares,
a única que acha cabelo em ovo.
Ela é de origem portuguesa
e sua epifania se deu numa barbearia.
Tem pelos nas costas, usa bigode.
Uma Santa que nem o diabo pode.
Drag Queen beatificada,
padroeira dos bichos hisurtos,
dos hippies e das vassouras de pelo.
Santa de dar inveja aos carecas.
Pois tem vários cipós debaixo do braço,
perucas nas pernas e cultua suíças.
É a Santa que o Tarzan cobiça!
Nossa Senhora dos Capilares! Orai por nós!
Sua primeira oração foi “As Mentiras Cabeludas”
e posteriormente, “Sabão Cra –Cra”.
Protetora dos pelos do nariz, tufos na orelha,
da família circense, em especial, da Mulher Barbada.
Uma Santa de arrepiar os cabelos,
mas pelo sim e pelo não
é a Santa de minha devoção.
Bento Pinto dos Santos
(Jorge Barbosa Filho )
sexta-feira, agosto 06, 2010
O diabo loiro está de volta!
E eis que o Jorge me envia um de seus novos poemas. E pelo jeito ele continua botando pra fuder. Segue:Jorge Barbosa Filho
quinta-feira, julho 29, 2010
Lirismo alheio
Um magnânimo exemplo de lirismo segue no texto a seguir, em que a autora alcança um patamar invejável de simbolismo e significado.
poética da concha
o bicho mais mole cria a concha mais dura, na medida exata de sua existência . expele o mal
rodeado em madrepérola. o mais inofensivo é o mais impenetrável dos bichos da
praia.
e é de dentro para fora que constrói essa casca. e do segredo de sua natureza, do mistério
daquilo que é feito, ele forma o concreto de sua cidadela.
mas só cabe um em sua fortaleza miúda.
- Vanessa Rodrigues -
quinta-feira, maio 20, 2010
LOKO DENIS E O MOMENTO METAFÍSICO
Pintura por Maria Luísa C. Fumaneri, 2010. Técnica: pincel de Paint.Joaquim pegou o prato de apoio do pires e, com as unhas, começou a arranhar e arrancar pedaços da parafina acumulada pela queima de diversas velas. Loko Denis acompanhou o processo com olhos curiosos e inquisitivos. Focava-se na mão, em todos seus movimentos bruscos, os dedos grossos e as unhas ligeiramente sujas, empurrando com desajeitada força os tocos brancos. Naquele breve momento de reveladora filosofia, Joaquim falava – pausadamente – amenidades que Loko Denis não quis ou simplesmente não ouviu.
Pensava que numa situação dessas ele não saberia o que fazer, simplesmente não teria o conhecimento para saber que, para tirar aquele amontoado de cera branca de um prato deveria ser necessário arrancá-lo com a mão, e não com o uso de um detergente e um Bombril, mesmo pelo motivo de que apenas isso não funcionaria. Nesse momento, Loko Denis descobriu que nada sabia sobre a parafina da vela e, praticamente, nunca havia tocado uma antes. E isso demonstrava o quão sábio Joaquim era, tão somente pelo conhecimento empírico que acumulava. É lógico que essa percepção não vinha a Denis dessa forma, mas sim em códigos mais modestos, talvez suficientemente simbolizados pela figura do herói e da qualidade empática da admiração e a consequente afeição indefinida. Indefinida porque não-afeição, por mais paradoxal. Mas longe de compreender, Denis não precisa compreender. E, quando mais tarde, mais maduro já a caminho da meia-vida, meditava sobre o período, gostava de pensar se as pessoas mais jovens que o conhecessem agora também teriam essa percepção de sua própria figura, quando levantasse e jogasse fora os tocos das velas ou qualquer outra ação aparentemente banal e desinteressante, mas enquanto detalhe, figurava sublimidade inexplicável, talvez comparada ao vazio e preenchimento (!) da divulgação da Teoria do Caos, e, assim, essas pessoas achariam que ele era um homem sábio, um cara vivido, um cara com MUUUITO conhecimento empírico para dar. Nesta época viria a ter uma resposta.
O que importa é o tempo presente. E neste, Loko Denis saíra de seu repentino e profundo transe, porque Joaquim já terminara de jogar fora os tocos e acendia uma nova vela, deixando cair a cera quente sobre o prato e firmando-a.
quarta-feira, abril 28, 2010
terça-feira, março 30, 2010
NÃO HÁ NADA
Como diria um amigo eu, assalamom!
E boa sorte a todos. Fiquem londe das drogas, camaradas.
quarta-feira, fevereiro 17, 2010
Poema novo de Jorge Barbosa Filho

Eis mais um poema de Jorge Barbosa.
Visite também http://www.myspace.com/jorgedoiraj
não me ame nunca
não me ame nunca
dizem, sou muito perigoso,
pois se te beijar a nuca
acabo te roendo o osso
da tua doce espinha
falam, é a minha arma,
pra me valer nas esquinas
e chegar ladino em casa.
não me ame nunca
dizem, sou muito pirado,
meus carinhos nas luas
não valem nenhum trocado.
acho que minha fama
não é assim tão pequena,
gritam, que só valho a pena
quando te levo pra cama.
não me ame nunca
dizem, sou muito bandido,
roubo sua alma e chuvas
e depois acabo fugindo.
perca a esperança então
rezam, sou homem e menino,
brinco pelo seu coração
que bate sempre arrependido.
não me ame nunca
dizem, que você me ama
enquanto tudo te espanta
não me ame nunca.
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
FMAN B-SIDES
(e novamente, pra quem não sabe do que se trata a série, procure o primeiro post)
a nossa música a gente inventa
conforme o tempo partido
de nosso amor assente
um poema de amor ferido
carta sentimental passada
nós escrevemos qualquer dia desses
enquanto esperamos tudo passar
ou mesmo na noite antes de despertar
nossas fúrias e desinteresse
o vazio da saudade
este acordará no tempo certo
de um tempo que lembramos perdido...
para sempre.
***
Pois é. A tosqueira continua.
segunda-feira, janeiro 04, 2010
GENIAL
CARNE É CRIME
(e logo ao lado um outro cidadão, que imagino melancólico e muito perspicaz, escreveu:)
FOME É FODA
Du caralho. Neste pequeno terrorismo poético urbano ele resume tudo. Não vou explicar minha interpretação. Isto fica pra cada um.
E volto a dizer, respeito e admiro a fundamentação argumentativa dos vegetarianos, mas não venham me encher o saco. Gosto de carne, já vi todas as atrocidades cometidas contra animais, mas, sinceramente, não me tocou de forma tal a me impedir de saborear seus corpos. Cadeia alimentar é cruel - poderia ser menos, é claro, com métodos mais adequados e menos atrozes.
Enfim, é isto. Preguiça de levar mais adiante.